Nativos de outras tribos

 

Também me surpreendeu os parisienses. Posso dizer que boa parte do que imaginava em relação às pessoas estava errado.

Sempre ouvi dizer que o francês é um povo absurdamente nacionalista. Tem nomes bem diferentes para certas coisas para não seguirem os ditames ianques. O que no mundo é conhecido por computador é chamado pelos franceses de "ordinateur". Essas e outras coisas - como os filmes ianques que enfatizam o quanto os franceses são chatos - me fizeram ter certo receio em relação ao que iria encontrar em Paris.

Mas as surpresas são boas: ninguém se recusou a falar inglês comigo e até os que não sabiam, que eram poucos, gesticulavam simpaticamente - como o segurança do metrô, quando o perguntei sobre o horário de funcionamento do mesmo respondeu-me desenhando ao vento um 5:30 com um sorriso nos lábios. O funcionário de um restaurante nos serviu muitos chazinhos, sorrisos e "obrigada" para voltarmos no dia seguinte. Além disso muitos falam espanhol. No albergue mesmo todos os recepcionistas eram fluentes, atendendo sem problemas brasileiros, espanhois, argentinos, mexicanos. Certo dia, quando andava na Champs Elisée, encostei-me num poste, enquanto esperava o pessoal. Um senhor bateu no poste e tirou uma brincadeira comigo do nada- puts, além de prestativos têm bom-humor. E o melhor é que não fumam em todos os lugares, como os nativos da terrinha - um português ganhou um campeonato de cachimbada, segundo anunciou um jornal da TVI ontem, quando estava no Porto.

Apesar da comida ser cara, há muitas coisas legais. O metrô tem uma malha bem densa, embora não seja tão moderno quanto o do Porto - utiliza sistemas mecânicos. E se pode comprar um bilhete de 5,60 euros válido por todo o dia, podendo usar o mesmo quantas vezes forem necessárias. Além disso, se você mandar beijinhos para as meninas que passam de barco no Sena elas respondem prontamente com mais beijinhos. História em cada ponto do chão. Pessoas de todos os lugares, raças, religiões e esquisitices. Um lugar para não se esquecer.

Luiz

Os tempos são gloriosos. A nação é respeitada em todo o mundo, o mundo a imita. Viva ao rei, viva ao rei. Nosso rei, cintilante rei.

Rei, não se deixe cegar por tanta luz. As coisas parecem bem, mas algo precisa ser feito. A nobreza está vivendo bem, muito bem, e o povo sofre. O povo sofre rei. Nada faz a nobreza. Vale-se do Estado, vale-se do que se extirpa dos que não têm amigos, poder, influência. Não rei, não privilegie seus amigos, parentes e os amigos dos amigos dos parentes. Dê lugar ao mérito, ao estudo. Mas também não se deixe cegar pela nobreza esclarecida, ela também vai querer explorar os baixos estamentos. Você não é mais um, é três, como Deus. A unidade está desfeita e o controle perdido. Quem vai controlar o outro que também é você? Como controlar o outro? Você faz, o outro que é você também o fará. E mesmo que você não faça, você que é o outro vai continuar fazendo e, por o outro ser você, você nada pode fazer .

Aliança rei! O terceiro estado precisa respirar....

Da fila e outras coisas

Alguns adjetivos são atribuídos aos brasileiros: festeiros, malandros, jeitosos e outros. Se somos tudo isso, não sei se passamos os professores.

Tenho visto coisas aqui que gostaria de registrar. Costuma-se pensar que na Europa existe gente civilizada, moral.... Mas os kants aqui são poucos. Fila, em Portugal não possui o mesmo respeito e atenção que nosso país. Todos os locais e repartições possuem senhas. De início parecia estranho, dado que nas repartições em geral o movimento é pequeno e raramente se formam filas. Todavia, não importa. Vai a algum lugar, trate de pegar senha. Na minha cabeça costuma-se passar coisas, muitas bobas como o custo do papel da senha, custo da impressora, custo da máquina, energia... sei lá, bobagens. Se estivéssemos no Brasil não se fariam senhas ou coisa do gênero em repartições cujo movimento é tão pequeno. Quando vou a uma agência dos correios no Brasil – sempre que preciso vou ao Dirceu, mais próximo de casa – não há senha. A agência raramente está cheia e o atendimento não costuma ser muito lento – também não disse que é rápido. Aqui em Portugal, as vezes que precisei, a agência sempre estava vazia. Mesmo assim lá está a impressora e a senha para ser tirada.

Bem, acho que descobri porque. Deve ser pelo mesmo motivo que os professores na UC assinam o seu ponto. Se não há controle, não há respeito, não há moral, não há trabalho. Às quarta-feiras saio cedo e volto tarde. Almoço na UC. O almoço é bom, mas a espera é angustiante. Bem, os portugueses não ligam para a fila. Chego à fila e espero... espero... a fila chega a parar. Bem, os portugas fazem assim: passam normalmente e encontram com alguém da fila – alguém da frente. Começam a conversar e por lá mesmo ficam.... e não há disfarce ou fingimento. Todos percebem, todos calam -eu, como minoria, inclusive -, todos fazem.... bem, lá no meu trabalho a fila era respeitada -mesmo que se passasse horas nela. Inclusive eu gostava de até de colocar para trás os furões – controlamos as senhas eletronicamente.

Vejo muita importância numa fila. Não me parece só pessoas atrás das outras. È mais que isso. É o caráter de cada, é o respeito pelo outro e por si. Quem não respeita uma fila dificilmente vai respeitar a mulher, a família, os amigos. Pode até ser bobagem, as coisas nem sempre são tão simples. Contudo o que chamam fila, chamo moral.

Viagem ao Porto

 

Ainda no ônibus conhecemos Larisse, brasileira de Tocantins que faz intercâmbio na cidade de Aveiro. O paraibano passou o tempo dormindo e eu conversava com Larisse. Ao Chegarmos no Porto ela nos explicou como utilizar as máquinas e cartões no metrô da cidade. Então me despedi de Félix e Larisse no aeroporto. Foram pegar o comboio para Coimbra e Aveiro, respectivamente.

Eu fiquei no Porto e fui ao encontro de Belinha e Mari, colegas da UFPI que fazem o intercâmbio na cidade. Andamos bastante pela cidade que é absurdamente linda Dizem ser a mais bonita daqui. Ficamos um tempo à-toa conversando à beira do rio – mas longe, dado que era um lugar muito alto. A Isabela, louquinha, fez-me tirar inúmeras fotos. Tomei uma Superbock (pá, eu queria Sagres), Isabela me deu uma mordida assassina e fomos à casa dos colegas. Moram num apartamento cinco colegas, Meire, Leone, Valério, além da meninas e mais o sexto elemento, Túlio, que é mineiro.

Terça-feira, dia 30 de setembro. Acordamos e Isabela foi assistir aulas e a Mari foi andar comigo. Fomos à praia. Passeamos muito, conversamos bastante e seguimos para o RU das economias. Comi de penetra e voltamos ao apartamento. Mari foi assistir aula e a Bela levou-me ao Palácio de Cristal. Lugar cheio de jardins, caminhos, flores..... bem legal. Mari nos encontrou lá. Belinha tirou inúmeras fotos e me deixou um tanto cansado – a Mari chamou-me de lesma verde, com referência a minha camisa.

Já às 20h peguei o comboio para o Porto. E enquanto lia tranqüilamente, percebi que não tinha a chave de casa.... hehehehehe. Perrengue louco... o desespero bateu logo. Ao chegar em Coimbra consegui a chave do prédio com o colega do andar de baixo. Fiquei com a chave e pedi uma outra chave para a proprietária. O colega disse que voltava logo. Mas só apareceu às 2:40 h. E mesmo eu tendo ligado várias vezes para o moço, avisando para ligar quando chegasse, acordou a Dona Augusta, proprietária, ao tocar as campainhas de todos os andares. Falou pelo interfone com a Dona Augusta – que disse depois pensar que era um sequestro – no momento em que cheguei para abrir. O Yuri, o colega, explicou que não tinha o meu número e como havia tirado o chip do aparelho, não tinha como conseguí-lo.

A Mari enviou-me pelo correio as chaves e mais um cinto, que eu também havia deixado. Parece que a funcionária dos correios ficou pensando coisas sobre chaves e cintos.... hauhauhauhauhau e a Mari ruburou.... Bom dia no Porto. Mari e Belinha lembram-me de uma amizade importante que tive com duas moças em Teresina. Talvez façamos uma turma quando voltarmos.... oxalá!

 

Viagem para Espanha
 “Eu queria também aqui anunciar, faz favor, que isto aqui, que isto aqui, é uma data de gatunos, uma data de ladrões e uma data de chupistas....”


Dia 28 de setembro finalmente fui atrás do visto na Espanha. Explicando: todos os colegas que vieram a Portugal pela bolsa da UFPI conseguiram seus vistos ainda no Brasil. Todos nós solicitamos o mesmo no Consulado de Portugal em Recife. Inclusive eu fui o primeiro a ser atendido. Mas como os primeiros serão os últimos, vim para Portugal sem visto.

Foi uma luta conseguir contato com o Consulado do Recife, todavia o pessoal de Fortaleza – onde peguei o passaporte para viajar – explicou que eu deveria fazer uma carta dirigida ao Ministro das Relações Exteriores pedindo que o mesmo fosse remetido para um Consulado de Portugal na Europa – não é possível receber o visto no próprio país. Redigi o requerimento e enviei -5,70 euros pelo fax, nos correios – ainda pelo dia 16 de setembro. Infelizmente o consulado não respondia aos meus emails. A sorte foi que Cida, esposa do Félix, foi ao consulado e confirmou que os vistos, meu e do paraibano, estavam na Espanha.

Fui informado por alguns brasileiros que teria que ir primeiro para o Porto e só então pegaria comboio – trem – para Vigo. De toda forma, achei na net uma empresa que fazia Coimbra e Vigo direto. Era um pouco caro – 26 euros –, todavia valeria à pena por não termos que dormir na cidade. Saímos às 23 h de domingo e chegamos próximo das 4h – 5h no horário da Espanha – em Vigo. Levei meu computador porque já havia traçado o caminho para o consulado pelo google maps. Só precisaríamos encontrar a avenida Madrid. Com poucos minutos andando ao redor da rodoviária procurando a tal avenida somos parados pela polícia.... hauhauhau usei meu espanhol fluente -outra piada – para explicar a situação e fomos liberados prontamente – depois de fuçarem as mochilas, obviamente. Da avenida Madrid partimos para a direção contrária que conforme o desenho do mapa encaixava-se. Depois de alguns quilômetros voltamos – depois de muita discussão com o Félix. Muito mortos – e depois do Félix tirar inúmeras fotos de estátuas e da luz – chegamos ao consulado. Esperamos bastante e conseguimos tomar café da manhã com 1,75 euros – muito barato.

Ao sairmos do Consulado, andamos pela cidade e fomos a uma livraria. Nossa.... ficamos loucos com tantos títulos. Livros impossíveis de encontrar no Brasil e tampouco em Portugal -editoração aqui é bem fraca. Estranhamos o fato de uma livraria tão repleta só ter um título de Marx – Miséria da Filosofia.

Voltamos à rodoviária. Alguns gays ficaram olhando o pobre do Félix – gostosão, hauhauhauah. Nessas horas é bom ser feio. Comprei chaveiros para a Mari e para a Belinha, comi uma baguete com salame. Na loja a moça explicou-me que somente alguns velhos falam o galego. Dias depois um espanhol que assiste aula de Internacional Privado comigo explicou que é assim em Vigo, que as pessoas das cidades grandes não dão valor a cultura galega e não consideram de categoria -termos do espanhol – falar galego. Contudo nas aldeias e povoados os jovens mais e mais aprendem o galego. Os espanhóis são às vezes mais fáceis de se entender que os portugueses. Pagamos a bilhete para Porto... e o resto eu continuo no próximo post.... braços!

Paulista econômico

Mais um dia como outro dia e como o dia anterior ao outro dia que se sucedem diariamente. Luziene e eu fomos ao restaurante universitário de cima, o da comida não tão gostosa. Foi quando deparei-me com um grande exemplo, alguém a ser seguido e imitado. Não falo do Canotilho – que disse recentemente que os brasileiros são os estudantes mais esforçados -, mas do Paulista econômico.

O restaurante de cima possui maior fartura: você pode pegar pão, sopa, sobremesa, comida – arroz, batata cozida, verduras, carne de porco ou peixe – água e só paga 2,00 euros. Existe o restaurante de grelhados, que cada coisa é pago separadamente, porém é mais disputado. Como estávamos com pressa nesse dia, comemos no primeiro. Luziene estava virada para mim e eu observava um casal de intercambistas de São Paulo. A Luz ainda hoje me vilipendia por não ter apontado ao referido casal enquanto nos saboreávamos com a sopinha sem gosto. Gostaria de reproduzir o diálogo que acompanhai com atenção:


Não mais vi o paulista econômico, e tampouco lembro da sua cara – isso quer dizer que talvez o tenha visto, não é verdade?. Contudo providenciarei reproduzir esse grande exemplo. Luz, tu devia fazer isso em relação aos teus 20 cremes, que tal?

Encontro erasmus

21 de setembro de 2008 - Esse foi, que eu me lembre, o primeiro bom dia em Coimbra. O internacional office, Driic, organizou um convívio com os estudantes de mobilidade. Iríamos descer o rio Mondego de barco e depois teríamos um bom churrasco - de porco, claro. E assim foi.

Nesse dia acordei cedo e nem fui tomar café na pousada. Continuei tomando café no albergue da juventude até dia 1, dado que havia pago 19 diárias. Mas já havia arrumado um quarto que lhes digo ser mais confortável que o meu em Teresina. O inconveniente é não ter cozinha, embora haja geladeira e micro-ondas em uma área compartilhada com portugueses que nem vejo – depois de uns 10 dias cheguei a encontrar um que saia de um quarto, mas entrou imediatamente no mesmo... huahauhauhau. De toda maneira, prosseguindo, fui esperar o ônibus da UC na Praça da República pelas 8:30. Não lembro a hora que saímos, mas lembro que demorou bastante. Luziene também foi. Seguimos de ônibus e chegamos ao local em que desceríamos as corredeiras. Luziene foi, mesmo sem saber nadar e principalmente, sem remar, comigo no mesmo barco. Tive que remar por dois, por sinal. Depois dos oito quilômetros chegamos ao local do churrasco. Fiz amizade com alguns ingleses, italianos e principalmente os turcos durante a pelada. Jogamos futebol durante bastante tempo, comigo no time dos turcos. Aliás, o povo turco é muito simpático, recebem e cumprimentam você com muita alegria. Ontem encontrei um deles, Barnet, e propus organizarmos um jogo aos domingos no parque próximo ao rio – bolas e chuteiras são baratíssimas por aqui.

Durante essa mesma semana cadastrei o meu pb4 no centro de saúde do bairro. No próximo post descrevo a viagem para Espanha, ocorrida no dia 28, em que fui parado pela polícia. Braços!

Causos do albergue, tomo II

 O albergue tem muitas qualidades, mas não fique em um por muito tempo. O quinto dia parece o dia fatal, assim foi com o Félix e parece ter sido com o Yuri também.

Um dia -acho que terça, dia 16 - teve que ir bastante cedo à UC, para resolver questões burocráticas que ainda me irritam aqui. Não falei com o Félix e não mais o vi nos dois dias seguintes. Dois dias seguintes vi um recado na minha mochila. Ele havia encontrado um T0 – quitinete – por trezentos euros. Precisava de um lugar grande – huahauhauhua, aqui quitinete é grande - porque espera a esposa dele que deve chegar nos próximos dias. Bem, o Félix ganhou noites de sono, mas perdeu algumas histórias. O italiano roncador, o maníaco do celular, e o australiano homem-aranha.

Bem, no albergue não se tem segurança em relação aos pertences. Acho que faz parte do espírito alberguista a confiança no outro. Mas como eu sei muito bem que o outro não sou eu, deixei minha bagagem com a Luz. Andava apenas com algumas roupas, shampoo e escova. O paraibano carregava o notebook consigo em todo momento, todavia não tinha onde deixar a bagagem. A situação era ruim, pois Coimbra tem escadas e ladeiras demais e muitas entre o albergue e a baixa – bairro da Luz. Tenho certeza que se o inferno existir é capaz de ser uma combinação do calor de Teresina com as escadas e ladeiras daqui.

E as noites não foram boas esses dias. No primeiro havia um italiano, velho e alto que passou boa parte da noite roncando. Ainda bem que eu estava um caco, e consegui dormir. No dia seguinte foi mais difícil. Havia um indivíduo de nacionalidade ignorada que apertava insistentemente as teclas de um celular. Rsrsrsrsrsrs.... não imaginava que rangir de teclas de celular fosse tão incomodo. Parecia trocar mensagens e por vezes parava. Mas o maldito telemóvel fazia um barulho tosco – como uma máquina velha imprimindo algo -e ele voltava a ranger as teclas.... puft.

Na noite do dia 17 para o dia 18 até que dormi bem. Entretanto o dia chega, e uma luz -que não era a Luz -na minha cara me desperta. Viro-me e está lá o australiano de cueca samba-canção do homem-aranha abrindo as janelas.... era o quinto dia, sabem?

Causos do albergue, tomo I
 

Bem, a vida no albergue não era muito fácil. O Hosteling Internacional é um movimento importante. Possui albergues filiados em todas os lugares, desde Machu Pichu – entenda, locais próximos - até Portugal. A preços menores e possível os aventureiros se hospedarem com um nível bom de organização e higiene. Passe pouco tempo, contudo.

No primeira noite conheci o Félix, paraibano gente fina. Mas cada noite havia um gringo mais chato que o outro. Essa cidade, por sinal, parece ter mais gringo que portuga. O café, no primeiro dia foi bacana: dois pães, queijo, presunto – chamam fiambre-, chocolate – não peça café em Portugal –, suco – sumo aqui -, margarina, iogurte e doce de pêssego. Ainda hoje como no albergue, dado que havia reservado do dia 12 de setembro até 1 de outubro quando ainda no Brasil. Isso por que esperava um apartamento com o proprietário do quarto arrendado pela Luziene. Ele até ofereceu um quarto no ap da Luz, mas o trato era que a Luziene não ficaria com rapazes no ap. As refeições são razoavelmente caras. Com seis euros você tem um bom prato – a comida é cara, mas farta, mas tem que pedir bebida por fora. Nos primeiros dias pagávamos esses valores no almoço, dado que não temos acesso aos restaurantes universitários nos fins de semana – chegamos na sexta. Bem, para a janta descobri o grande valor de macarrão com sardinha... hummmm... como diz a minha mãe que ouvia da minha avó que ouvia da mãe dela: a fome é um bom tempero....

Os estrangeiros são muito esquisitos. Esses dias assisti Sporting e Barcelona com um italiano que fazia barulhos estranhos quando havia algum perigo de gol. Tinha um japa também, que parecia um samurai. Assisti o canal axn com ele. Lembro também de um coreano, que estava sempre a ler ideogramas, próximo do banheiro – esse parecia o senhor Miage, pai da Lena. A convivência no mais consistia em cada um dizer alguma palavra em seu idioma como cumprimento.... flw japa, bom diorno, viejo!

Em suma, essas boas coisas eu lembro porque foi dia desses e porque anotei no note..... mas as cômicas é que vão ficar... falo do maníaco do celular e do australiano homem-aranha em seguida. Beijos às meninas, cumprimentos aos gajos!

Retomada com mais banzo!
 

Resolvi retomar o banzo para contar o que tiver que ser contado no tocante a viagem a Coimbra. A saída de Teresina foi dia 10 de setembro, às 8:30h. Eu estava com uma baita dor de barriga. Seguimos – eu, Valério, Leone, Meire e Isabela - de ônibus até Fortaleza para pegar os passaportes e vistos. Luziene já estava em Fortaleza e a Mari seguiria de automóvel.

Na manhã do dia 11, quinta: da rodoviária de Fortaleza seguimos até a casa da avó da Meire, uma senhora muito bacana e ativa. Para variar o sortudo aqui foi o único a não receber o visto.....rsrsrsrs..... puft..... já não bastava a dor de barriga! No aeroporto o vôo foi adiado, das 20:00 para as 22:00, sendo que só viajamos às 23:30h e passamos todo o tempo, entre 18:00 e 23:00 h em check in e embarque.

Manhã do dia 12, sexta: bem, a TAP até que é mais generosa que as nossas empresas domésticas. Não comi nada – ainda a dor de barriga -, mas vi que ofereciam mais que amendoim e água. Chegamos em Lisboa, fomos enrolados por um taxista, seguimos de autobus para Coimbra, pegamos mais um taxi, chegamos ao endereço da Luziene, despejamos a bagagem dela e a minha e seguimos para o albergue da juventude..... subimos e descemos escadas e ladeiras – nas palavras de uma húngara da mobilidade, a cidade é up, up, up, up, up.... -, comemos francesinhas – aqui francesinha não é nacionalidade – e conheci um paraibano no albergue, Félix, que chegara dois dias antes.

No sábado, dia 13, tentei me situar um pouco no tempo e espaço e nas outras 9 dimensões. Um brasileiro, estudante de engenharia, parou Felix e eu para oferecer uma vaga num quarto o qual ele queria dividir. Vi, mas fiquei duvidoso em suportar alguém no meu espaço. O preço era 140 euros para cada no quarto duplo. O Félix, que já procurava a algum tempo, achou a oferta boa, contudo pedi para pensar até segunda. O paraibano – que por sinal, é da Paraíba- que faz mestrado em História avisou que havia encontros de brasileiros recém chegados no free café. Como o indivíduo mais simpático no recinto era português, voltamos para o albergue.

Domingo, 14 de setembro.... hum, não lembro. Só lembro que os portugueses não fazem nada no domingo, além de fumar e comer porco -isso é sagrado, ora pois - e isso inclui atender telefonemas de coitados aflitos por um lar.... não que eu tenha tentado, mas o Felix.... up, up,up,up Ah sim, liguei para o engenheiro para acertar o quarto, dado que estava cheio do albergue, todavia o mocinho já havia arrumado companhia – para minha sorte, percebi depois.

Bem, segunda-feira 15, começamos os procedimentos de matrícula do Driic, internacional office. Passamos a semana organizando coisas chatas da Univesidade, carteirinha do Erasmus- associação dos estudantes de mobilidade -, assistimos palestras em inglês de boas-vindas – em que captei uma certa rivalidade entre a Associação Académica – sic – e os estudantes da associação do Erasmus, definição de disciplinas – filas para falar com a coordenadora de Erasmus da Faculdade de Direito-, e muitas outras coisas chatas.

Terça, dia 16 de setembro tentei resolver a questão do meu visto. Já havia sido autorizado, contudo precisei enviar um fax para que o mesmo fosse remetido para Vigo. Digitei o pedido no notebook, up,up,up.... down, down, down.... imprimi, assinei..... down, down, down, paguei 5,40 euros nos correios – quase um prato de comida – esperei ser enviado, liguei para o consulado, deram-me outro número....afff, ladeiras e escadas depois consegui.... ainda hoje a moça do consulado, Corina, não me confirmou nem que o recebeu....

Quarta-feira, dia 17 fiz outras coisas chatas na UC. Acho que foi o dia que conheci o Yuri, goinano culinarista que faz intercambio na Faculdade de Direito, e a Cecília, de João Pessoa. Aqui tem muitos estrangeiros, e brasileiros então.... Depois de resolver algum coisa na faculdade, eu, luz e Félix pegamos um autocarrobusestation até o Coimbra Shopping. Comprei um mouse óptico por 25 euros, e a Luz um notebook. Os pcs e produtos de informática são baratos. Na volta o Félix estava sedento por uma Sagres – cerveja melhorzinha aqui – e sugeri o bar da Associação Académica, afinal o bar da associação dos estudantes deve oferecer cerveja a um preço menor. Bem, o preço era maior e a cerveja era menor e eu desisti dessa associação.... rsrsrsrsrs

Bem, o post foi chato, eu sei. Mas prometo romper com a linearidade nos posts seguintes e contar os factos – olha o purtugueis – mais cumicus – bem, os purtuguesisz falam assim, entendem? É, eu também não entendo – da viagem. See you later, alligator!

Naquele tempo, levantando os olhos para seu computador, Jesus mandou uma mensagem às dependências no sisbb:

“Felizes de vocês, os bancários, porque o reino de Deus lhes pertence. Felizes de vocês que agora têm fome porque se manterão em forma. Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês nas filas do caixa no terceiro dia útil do mês, por causa do banco. Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vocês, os clientes, porque já têm sua consolação! Ai de vocês, que agora têm BB Renda Fixa LP Estilo porque vão entrar no cheque ouro executivo! Ai de vocês, que agora riem com o BB giro rápido, porque vão ficar aflitos quando no CCF, Cadin, Serasa e SPC! Ai de vocês, se todos os elogiam, porque era assim que os gerentes faziam para cumprir as metas e abarcar sua PLR”

(Evangelho Brenoniano, Lic 951.000.763.138.468.799.979.69.1.9999)
(Versão de Lucas, 6, 2-26)
Breno Code

Meu querido blog, quanto tempo. Suas atualizações já foram mensais. Belo descuido de seu dono. Boas coisas aconteceram nesses meses. De novidade o novíssimo Código Brenal de 2006, em vias de elaboração, o qual em sua parte geral estabelece duas regras de importância social e moral, impassíveis de contestação. Com o bojo da doutrina de Beling, Wellz, Carrara, Lombroso, Von List e Fernando Alonzo; além dos nacionais: Hungria, Noronha, Tio Charles,  Tio Djalma e Ronaldinho Gaúcho, vém a mais importante lex do ordenamento harmonizar-se com os princípios supra-constitucionais da responsabilidade objetiva brenal e da defesa da pessoa brenoniana. Citamo-los:

 

Da inadimplência à pessoa brenoniana:

Art. 1°: A inadimplência é inadmissível sob quaisquer aspectos, não cabendo análise de injusto subjetivo. Pena: “ignorantia personae”, até reabilitação positiva do infrator.

 

I-                   Não cabe erro de tipo, no que concerne esse artigo;

II-                Também se afastam discriminantes, reais ou putativas;

III-              A reabilitação dar-se-á por arrependimento posterior, salvo a faculdade do agente passivo aceita-lo.

 

Recuo inadvertido:

Art. 2°: Dar para trás em relação à pessoa brenoniana, ou em relação a terceiro quando a conduta ferir o bem tutelado por esse instrumento jurídico. Pena: discricionária ao Breno.

 

Parágrafo único: o juiz agirá em observância ao Art. 4° do LICC e em consonância com a moral Kantiana, conforme elemento volitivo.

 

A exposição de motivos virá no próximo número, qual será seu conteúdo?

BALANÇO

Por mais que datas sejam só datas, em algum momento tem-se fazer. Bem, acho que já não tenho o fôlego de antes em escrever meu blog, que já deixou de ser mensal como outrora. Pat, fui convidado ao "mundo adulto".

O primeiro semestre foi excelente. Fazendo os meus cursos e amigos na Uespi. A amizades da UFPI bem mais fortes. Alguns já sabia que sempre estariam lá, como meus, outros apareceram como presente. A vida perfeita.

O segundo semestre, com as responsabilidades decorrentes, inseriu-me num mundo pérfido, inútil e nojento. Um ambiente depreciativo. Mas meu amor ao trabalho já é de conhecimento geral. Muitas lições foram aprendidas. Anderson, Flávio, Ana, Maria Tereza, Rose, Deyse, Gisele. Não que sejam os únicos, mas coisas por vocês ditas me marcaram muito. Aprendi finalmente o princípio da cooperação e traição da Teoria dos Jogos. Essa vantajosa para os que esperam uma convivência de curto prazo.

Conheci mais um pouco da dor, que chega ao seu limite extremo quanto maior a alegria. Encontrei anjos candidos, meigos e perfeitos. Encontrei seres torpes, monstros frios que te fazem descartáveis. Encontrei caminhos sem volta. Alguns sonhos sumiram, outros apareceram para depois sumirem. Carinho, felicidade, sonhos. Frieza, tristezas, dores e pesadelos. Nunca foi tão intenso e bom. Nunca o baque foi tão grande. Bom ano amigos, espero que destruam os montros de suas vidas.

Ao futuro

         “O que é a existência? Na mocidade é o caleidoscópio das ilusões: vive-se então da seiva do futuro. Depois envelhecemos: quando chegamos aos trinta anos, e o suor das agonias nos grisalhou os cabelos antes do tempo, e murcharam como nossas faces as nossas esperanças, oscilamos entre o passado visionário, e este amanhã do velho, gelado e ermo – despido como um cadáver que se banha antes de dar à sepultura! Miséria! Loucura!” (Álvares de Azevedo)

 

          Quero dizer isso: o operário está velho. Já não se nutre da seiva das ilusões. É mais um a vagar, vivendo apenas pelo próximo prato; pelo próximo gozo. Prazer, prazer... Não pode mais pensar em nada senão nesse corruptor de espíritos, nesse mal que solapa toda a ambição e derriba toda a esperança. Não, não é isso. O prazer é um bem, o consolo dos que já não têm perspectivas. Mais um operário está velho, acabado: morto. É isso amigos, aproveitem os melhores anos de suas vidas, pois logo findarão.

 

 

 

 

Ao começo do fim do resto da vida

Dedico-a todo o amor de um suicida,

A mediocridade mais apurada,

A toda não tida, glória infundida.

 

Ao começo do fim do resto da vida

Rogo o Belo da infância imaginada,       

Aquela áurea lúcida encantada,

Conquanto talvez, insípida;e finda.

 

Clamo que, pela oblata do esquecer,

Ver a morte da angústia do não ser

Assim não mais pensar, pulsar, ou bater.

 

Alethia, istmo dos sentimentos invadiu,

As mais lânguidas virgens destruiu.

A esse ente, que em algures sucumbiu.

O banzo não me abandona

Ó, Cavaradosi

Triste ária da dor

Não sei aonde parar,

Mas dessa ida em vão

Não hei de voltar

O Ego e o que a ele pertence

"Quem era o senhor

 Quando Adão arava

 E Eva fiava?"

 

Ainda em Avaricum, foi-me  apresentado por Woodcock uma figura muito singular: Max Testa Larga. Nosso colega Max tinha uma feição meio tola, um riso estranho. Nos grupos de discussão ficava sempre a observar, com seu riso irônico, e sem palavra alguma proclamar.

           Quando estávamos em três, o poeminha de John Ball foi o que primeiro ouvi sair de sua boca. O assunto era obviamente política. E sobre as idéias dos homens para controlar os demais, Max tinha concepções encantadoramente singulares. Seria a vida um “eterno e amoral conflito de vontades”. Por vezes louvava o crime e o assassinato, no alto de seu egoísmo. Negava a razão e conceitos abstratos e gerais como homem e humanidade.

A propriedade devia ser o que pela força, um homem conseguia manter. Nada de governo ou Estado. Democracia? Absurdo eu repassar minha soberania a um estúpido para fazer inbecilidades  em meu nome. Só eu tenho esse direito, minha vontade é soberana, pouco importa o coletivo. Um mundo perfeito seria mais ou menos como uma guerra fria em que cada um poderia destruir a todos e, regidos pelo medo, seríamos livres. A liberdade: nada mais lindo que ser regido pelas leis da necessidade. Poderia se pensar em uma União dos Egoístas, em que eu usaria o outro de acordo com meu usufruto. E não precisando mais, jogo-o fora, pois só satisfazer minha vontade é importante. Seria a inversão do Estado, usurpador intolerável.

           Incrível como um sujeito como esse pode pensar tanta inutilidade. Um homem bobo e pacato, a ensinar lições a senhoras de bem em Avaricum. Um sonso, sempre a sorrir criticamente e em nada participar ativamente. Um fracasso, que nada conseguiu em termos econômicos e, muito menos, intelectuais. Um homem de passar, a repassar suas idéias primitivas. Um homem que se dava bem com todos, mas que amigo algum tinha. Esse é o Max, “meu irmão; meu igual”!

 

 

Anatália

Sua chata, valeu por tudo. Você é incrivelmente incrível. Não sei o que há em você, mas valeu por suportar não a fachada do Chavalier, mas ,principalmente, o verdadeiro - figura vil e estúpida que atrás da face boba e também  estúpida. Aliás, acho que você é mais estranha que eu. Só a senhora mesmo para aguentar meus podres, sem que eu tenha que mentir ou distorcer as coisas.

É bom ir fazer uma análise que não é normal. Não vou dizer que você é maravilhosa, esperta, sensível porque eu não gosto de puxar o saco de ninguém; - além do meu, é claro - mas gostaria de dizer que Anatália continua a ser "A". Mais, não há necessidade. Eu sei quem é, e sabe quem sou. BJÃO e FELIZ ANIVERSÁRIO!

 

Agnóstico temente a

Aqui, o comentário do Anderson, que é a motivação deste post. Tentei me defender. Analisem e comentem se consegui.

Anderson][a.britomata@bol.com.br]
EEEEEEEEiiiiiiiiii, sab o q é q penso sobre os agnósticos? São pessoas tementes a Deus(ponto2), tanto q não conseguem nega-lo, mas q não o admitem por serem arrogantes(ponto1). Essa historia d ficar dizendo por ai q "num sei se posso acreditar, num sei se não posso" ou "num sei se existe ou não" é bastante comoda, pois axam q durante seus julgamentos eles poderão alegar: "Não, não, eu não te neguei em momento algum. Se cometi algum pecado, não deve ter sido tão grave, permita q eu vá ao menos p o purgatório". Só existe quem acredita e quem não acredita, quem (axa q) ta em dúvida, é por q acredita, pois, se assim não fosse, não perderia seu tempo com tantas reflexões a respeito Dele (ponto3). O ateu num se importa com a existencia ou não d Deus. Creio em Deus, não me envergonho disso, e não axo q sou menos inteligente por isso(ponto4).

fim

 

Bem, apesar de ter sido chamado de arrogante e outras coisas mais, não pude deixar de achar o máximo esse comentário. Meu amigo Anderson, na idade média existia uma dúvida: que órgão será responsável pelos pensamentos, cérebro ou coração? Uns diziam cérebro, pela associação à visão. Outros o coração, pela associação ao sentir (q alterava os batimentos...).

Seria aceitável que alguém dissesse: bem, as circunstâncias não permitem afirmar, não tenho como saber? De alguma forma, alguém que dissesse isso estaria sendo arrogante por reconhecer não poder saber? (ponto1) O fato de esse indivíduo dizer não saber o faria, automaticamente, acreditar (mesmo negando) que a origem dos pensamentos é o coração, como intuía a maioria? (ponto2) O fato de esse indivíduo discutir o assunto, se encantar com ele, o faria obrigatoriamente partidário de uma das crenças? (ponto3).

         Bem, creio eu que o agnosticismo é sinônimo de humildade (admite-se a dúvida e a ignorância), não obriga a acreditar ou não e tampouco tem a ver com inteligência. Newton e Einstein eram fervorosos crentes num criador, “o relojoeiro universal”, nas palavras do primeiro. E além do mais você, meu amigo Anderson, que de tão inteligente faz um comentário digno de post (ponto4). Valeu mesmo cara! E é o que quero, e o que estimula a perpetuar a lixeira do meu "hd", que hoje sei ser o cérebro. Digam aí, fui bem?

"Sem deus, sem lei"

 

             Parecem ser os agnósticos e os ateus os mais encantados com essa teoria maravilhosa. Voltaire já dizia que em caso de não existência seria preciso inventar. Não se pode ao certo saber se "ele" (minúsculo sempre) nos inventou, mas sem dúvida nós o inventamos.  E cada um o constrói de uma forma, de certa maneira moldada pelo entendimento do coletivo, ou o que este apreendeu. Eu já fiz inúmeras construções de um possível engenheiro universal. A mais relevante, sincera e espontânea remota os meus pesadelos infantis.

Envolto num universo sombrio estava lá, uma figura grande (como os afrescos bizantinos) e auto-suficiente, com sua barba grisalha e cônica e de cútis branca. Era uma mistura de Tiradentes com Sócrates - retratado sempre forte e austero. Essa construção parece conter somente o projeto coletivo, mas minha cabecinha extremamente destacável pelo tamanho normal se encarregou de inserir seu tijolo: estava, meu deus, com uma faca. Uma faca! Esta arma, pronta a ser usada a qualquer distração ou erro meu. Não à toa eu, nesse período, tratei de pedir a devida ajuda. Minha mãe ainda me ensinou o "pai nosso" e a "ave-maria", mas reparando no meu grande "entusiasmo" pelas orações tratou de parar por aí mesmo.

Outras construções foram feitas por mim. Acreditar num senhor misericordioso é bastante cômodo. Imaginei o deus bom e complacente, mas a imagem inicial ficou presente. Entretanto, às vezes, a imagem dele parece tão estúpida e sem sentido quanto à santíssima trindade. Parece mais lógico acreditar que o relógio existe sem o relojoeiro que acreditar que o relojoeiro existe sem ninguém. Parece mais lógico acreditar que deus são as coisas, as pessoas, o universo que pensá-lo como uma criança a manipular uma fazenda de formigas. Caso ele exista, não ficará bravo. Ele seria o culpado por tantas blasfêmias.

 

P.S: pensei em dedicar esses pensamentos a minha amiga Giselle Tales Teles. Seria, contudo, uma grande insanidade dedicar tantas besteiras para alguém tão querido. De toda forma, parabéns gi, e foi maravilhoso conhecer uma garota tão doce e incrível como você (que diga o trabalho de Delphi, que deveria ter minha contribuição). Inteligência, beleza, doçura, senso de humor e doidice (o Anderson é a prova mor disso) fazem de você única e especial. Enfim, que a amizade perdure pela eternidade, ou pelo menos até você ir para o céu e eu para o inferno. Saudações, pessoal!

   

Maneira úteis de ser um inútil

Tenho um novo e estúpido modus vivendi: a inutilidade. Estou quase atingindo o nirvana de tanto não pensar. Pensamentos, idéias, projetos, objetivos: nada. Nada. O nada tem sido a regra, e a inutilidade se estende de várias formas. Como, durmo, visito os parentes, jogo video-game, coço vocês sabem o que e excedo-me no messenger (esse com o atenuante das companhias).

E o comodismo então. Se suicida deixaria de cometer o ato por preguiça. Aliás, poderia levar a cabo a ação só pelo "descanso eterno" (mesmo não cansado só penso em relaxar). E a grande inutilidade: escrever coisas inúteis para esse blog inútil e depois fingir acreditar para os que fingem ter lido e fingem comentar. Nada mais normal. Só mesmo os meus três leitores para terem paciência. Aliás, o motivo para os não-posts é o nada também. E o nada me motivou a compartilhar um pouco do meu muito nada com quase nada.

Agradecimento

Gostaria de, nesse post, agradecer a duas meninas fofas e a nosso físico da Lei os quais dispensaram alguns minutos de seu valoroso tempo para comentar esse humilde blog. Enfim, muito obrigado, do fundo do coração à Patrícia Fernanda Pat Letrinhas Rosas, Liannara Cangaceira do Sertão Florianense e ao Flávio Júlio Alves de Carvalho. Já eu arrumo uma poesia bem legal para vocês. Quanto aos outros, "mui amigos", ainda podem se redimir e comentar o post do dia 30 de janeiro. Sigam o exemplo do Júlio. Bjão!

Achei um poema bem legal na net. Não tem autoria. Linguagem coloquial, soneto sem métrica e rimas fracas. Mas tem uma imagem bem interessante, além de rimas internas. Acho que a pat vai gostar. Repararam? Além disso tem um enredo no estilo "No feeling", como diria Sid Vicius. Algo que todo misantropo entende. Mas resolvi trocar pelo Baudelaire em Les Fleurs du Mal

Ao leitor

 

Sempre tolice e erro, culpa e mesquinhez

Trabalham nosso corpo e ocupam nosso ser

E aos remorsos gentis, nós damos de comer

Como um mendigo supre a sua sordidez

 

Frouxo é o arrependimento e tenaz o pecado

Por nossas confissões muito é o que a alma reclama,

Voltando com prazer a um caminho de lama,

Crendo lavar as manchas com um pranto amaldiçoado.

 

(...)

 

Um existe mais feio e mais perverso e imundo!

Embora não se expanda em gestos ou em gritos,

De bom grado faria da terra só detritos

E num simples bocejo engoliria o mundo

 

É o tédio! – os olhos que a chorar sempre estão,

Fumando o seu huka, sonha com o cadafalso.

Tu o conheces, por certo, o frágil monstro, ó falso

Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!

 

Baudelaire, Charles. Flores do mal. Tradução de Pietro Nasseti. São Paulo: Martin Claret, 2003.

O Manuel e a existência

Uma questão me atormenta. Quanto tempo ainda serei lembrado após voltar ao pó. Confesso, só a eternidade  satisfar-me-ia; entretanto reconheço que me surpreenderia se recordações minhas perdurassem por mais que dias. É o que se chama complexo de Brás Cubas. Não que seja fã do velho Machado da Barba Branca, mas ele foi feliz ao definir tal situação.

 

Agora o achado. Bandeira em métrica rigorosa. Geralmente só o via em versos livres e brancos. Mas ele não deixou de surpeender. Usou a redondilha -geralmente medieval- em substituição aos decassílabos habituais. Enfim, fiquei impressionado. Por favor, comentem sobre Bandeira. Nunca me aprofundei muito a respeito, além de uma coisa ou outra sobre Pasárgada. Por isso, amigos, comentem sobre o que sabem sobre Bandeira e sobre este poema em particular. Escutem-me, comentem sobre isso e ,se quiserem, sobre o tema.

 

Zé Miúdo

 

Meu amigo, você se foi: adeus!

Quantos ainda o lembrarão,

Por quanto tempo ainda hão

De rogar lágrimas a “Deus”?

 

Não sei companheiro, José

Não tivera Ciência, ou glória

Não construíra a História

Não forjara uma falsa fé.

 

Essa triste ária da morte:

Sumir até nos corações

Daqueles que nos fazem fortes.

 

Pois , sumiremos irmão

Em uma cova rasa

E da memória do mundo.

 

BANDEIRA, Manoel. Lembranças de um mundo inexistente. São Paulo: Saraiva,1954.

Uma foto tirada no recesso

Não se preocupem, prometo não deixar mais a barba crescer, pelo menos enquanto não destruir toda a civilização judaico-cristã ocidental.hehehehehehehehehe... Passei o natal(sic) no Ipiranga. Lembranças da minha infância perdida, luz da minha vida e tudo aquelo q o Casimiro de Abreu disse melhor que eu. Cuscuz e o cajuína da vó Toinha, os livros do vô Joel, as belas garotas do Ipiranga (que insistem em ignorar a minha presença), os pequenos atazanando no quintal (na verdade eles nem ficavam no quintal, mas achei bem Gothe essa tirada). smpopdso opdv sopv vjdpsovjos dpjvodpjs vosvjpodjvopd vpdjvposd vjopsdvjopdv posvopdsv jpsdvod pvjpsvjpv (trecho censurado a mando do Supremo Augusto e Impulutíssimo Senhor Imperador Cornelius Girondinus, da Idiot Land).

Aliás este foi um ano deveras estranho. Até escrevi uma carta para minha amiga Pat Letrinhas Rosas.  Eu, escrever uma carta. Conquanto, voltei cedo. Tinha uns trabalhos para fingir fazer. Voltando à foto, deixo o cabelo crescer? A barba? Fico careca novamente?

Como eu começo minhas agendas:

   Sempre começo minha agenda, a cada começo de ano, com um poema do Álvarez de Azevedo, que amo. Ei-lo:

SE EU MORRESSE AMANHÃ !

 

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

 

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que amanhã!

Eu pendera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

 

Que sol! que céu azul! que doce n'alma

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!

 

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã...

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!

 

AZEVEDO, Álvares de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995, p.96

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BRASIL, Nordeste, TERESINA, TANCREDO NEVES, Homem, de 20 a 25 anos
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