Banzo


Quarta-feira , 13 de Setembro de 2006


Naquele tempo, levantando os olhos para seu computador, Jesus mandou uma mensagem às dependências no sisbb:

“Felizes de vocês, os bancários, porque o reino de Deus lhes pertence. Felizes de vocês que agora têm fome porque se manterão em forma. Felizes de vocês se os homens os odeiam, se os expulsam, os insultam e amaldiçoam o nome de vocês nas filas do caixa no terceiro dia útil do mês, por causa do banco. Alegrem-se nesse dia, pulem de alegria, pois será grande a recompensa de vocês no céu, porque era assim que os antepassados deles tratavam os profetas. Mas, ai de vocês, os clientes, porque já têm sua consolação! Ai de vocês, que agora têm BB Renda Fixa LP Estilo porque vão entrar no cheque ouro executivo! Ai de vocês, que agora riem com o BB giro rápido, porque vão ficar aflitos quando no CCF, Cadin, Serasa e SPC! Ai de vocês, se todos os elogiam, porque era assim que os gerentes faziam para cumprir as metas e abarcar sua PLR”

(Evangelho Brenoniano, Lic 951.000.763.138.468.799.979.69.1.9999)
(Versão de Lucas, 6, 2-26)

Escrito por Chavalier de Bourges às 23h31
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Quinta-feira , 15 de Junho de 2006


Breno Code

Meu querido blog, quanto tempo. Suas atualizações já foram mensais. Belo descuido de seu dono. Boas coisas aconteceram nesses meses. De novidade o novíssimo Código Brenal de 2006, em vias de elaboração, o qual em sua parte geral estabelece duas regras de importância social e moral, impassíveis de contestação. Com o bojo da doutrina de Beling, Wellz, Carrara, Lombroso, Von List e Fernando Alonzo; além dos nacionais: Hungria, Noronha, Tio Charles,  Tio Djalma e Ronaldinho Gaúcho, vém a mais importante lex do ordenamento harmonizar-se com os princípios supra-constitucionais da responsabilidade objetiva brenal e da defesa da pessoa brenoniana. Citamo-los:

 

Da inadimplência à pessoa brenoniana:

Art. 1°: A inadimplência é inadmissível sob quaisquer aspectos, não cabendo análise de injusto subjetivo. Pena: “ignorantia personae”, até reabilitação positiva do infrator.

 

I-                   Não cabe erro de tipo, no que concerne esse artigo;

II-                Também se afastam discriminantes, reais ou putativas;

III-              A reabilitação dar-se-á por arrependimento posterior, salvo a faculdade do agente passivo aceita-lo.

 

Recuo inadvertido:

Art. 2°: Dar para trás em relação à pessoa brenoniana, ou em relação a terceiro quando a conduta ferir o bem tutelado por esse instrumento jurídico. Pena: discricionária ao Breno.

 

Parágrafo único: o juiz agirá em observância ao Art. 4° do LICC e em consonância com a moral Kantiana, conforme elemento volitivo.

 

A exposição de motivos virá no próximo número, qual será seu conteúdo?

Escrito por Chavalier de Bourges às 15h42
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Segunda-feira , 26 de Dezembro de 2005


BALANÇO

Por mais que datas sejam só datas, em algum momento tem-se fazer. Bem, acho que já não tenho o fôlego de antes em escrever meu blog, que já deixou de ser mensal como outrora. Pat, fui convidado ao "mundo adulto".

O primeiro semestre foi excelente. Fazendo os meus cursos e amigos na Uespi. A amizades da UFPI bem mais fortes. Alguns já sabia que sempre estariam lá, como meus, outros apareceram como presente. A vida perfeita.

O segundo semestre, com as responsabilidades decorrentes, inseriu-me num mundo pérfido, inútil e nojento. Um ambiente depreciativo. Mas meu amor ao trabalho já é de conhecimento geral. Muitas lições foram aprendidas. Anderson, Flávio, Ana, Maria Tereza, Rose, Deyse, Gisele. Não que sejam os únicos, mas coisas por vocês ditas me marcaram muito. Aprendi finalmente o princípio da cooperação e traição da Teoria dos Jogos. Essa vantajosa para os que esperam uma convivência de curto prazo.

Conheci mais um pouco da dor, que chega ao seu limite extremo quanto maior a alegria. Encontrei anjos candidos, meigos e perfeitos. Encontrei seres torpes, monstros frios que te fazem descartáveis. Encontrei caminhos sem volta. Alguns sonhos sumiram, outros apareceram para depois sumirem. Carinho, felicidade, sonhos. Frieza, tristezas, dores e pesadelos. Nunca foi tão intenso e bom. Nunca o baque foi tão grande. Bom ano amigos, espero que destruam os montros de suas vidas.

Escrito por Chavalier de Bourges às 00h10
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Sábado , 08 de Outubro de 2005


Ao futuro

         “O que é a existência? Na mocidade é o caleidoscópio das ilusões: vive-se então da seiva do futuro. Depois envelhecemos: quando chegamos aos trinta anos, e o suor das agonias nos grisalhou os cabelos antes do tempo, e murcharam como nossas faces as nossas esperanças, oscilamos entre o passado visionário, e este amanhã do velho, gelado e ermo – despido como um cadáver que se banha antes de dar à sepultura! Miséria! Loucura!” (Álvares de Azevedo)

 

          Quero dizer isso: o operário está velho. Já não se nutre da seiva das ilusões. É mais um a vagar, vivendo apenas pelo próximo prato; pelo próximo gozo. Prazer, prazer... Não pode mais pensar em nada senão nesse corruptor de espíritos, nesse mal que solapa toda a ambição e derriba toda a esperança. Não, não é isso. O prazer é um bem, o consolo dos que já não têm perspectivas. Mais um operário está velho, acabado: morto. É isso amigos, aproveitem os melhores anos de suas vidas, pois logo findarão.

 

 

 

Escrito por Chavalier de Bourges às 22h27
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Terça-feira , 30 de Agosto de 2005


 

Ao começo do fim do resto da vida

Dedico-a todo o amor de um suicida,

A mediocridade mais apurada,

A toda não tida, glória infundida.

 

Ao começo do fim do resto da vida

Rogo o Belo da infância imaginada,       

Aquela áurea lúcida encantada,

Conquanto talvez, insípida;e finda.

 

Clamo que, pela oblata do esquecer,

Ver a morte da angústia do não ser

Assim não mais pensar, pulsar, ou bater.

 

Alethia, istmo dos sentimentos invadiu,

As mais lânguidas virgens destruiu.

A esse ente, que em algures sucumbiu.

Escrito por Chavalier de Bourges às 00h45
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Domingo , 24 de Julho de 2005


O banzo não me abandona

Ó, Cavaradosi

Triste ária da dor

Não sei aonde parar,

Mas dessa ida em vão

Não hei de voltar

Escrito por Chavalier de Bourges às 17h53
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Sábado , 04 de Junho de 2005


O Ego e o que a ele pertence

"Quem era o senhor

 Quando Adão arava

 E Eva fiava?"

 

Ainda em Avaricum, foi-me  apresentado por Woodcock uma figura muito singular: Max Testa Larga. Nosso colega Max tinha uma feição meio tola, um riso estranho. Nos grupos de discussão ficava sempre a observar, com seu riso irônico, e sem palavra alguma proclamar.

           Quando estávamos em três, o poeminha de John Ball foi o que primeiro ouvi sair de sua boca. O assunto era obviamente política. E sobre as idéias dos homens para controlar os demais, Max tinha concepções encantadoramente singulares. Seria a vida um “eterno e amoral conflito de vontades”. Por vezes louvava o crime e o assassinato, no alto de seu egoísmo. Negava a razão e conceitos abstratos e gerais como homem e humanidade.

A propriedade devia ser o que pela força, um homem conseguia manter. Nada de governo ou Estado. Democracia? Absurdo eu repassar minha soberania a um estúpido para fazer inbecilidades  em meu nome. Só eu tenho esse direito, minha vontade é soberana, pouco importa o coletivo. Um mundo perfeito seria mais ou menos como uma guerra fria em que cada um poderia destruir a todos e, regidos pelo medo, seríamos livres. A liberdade: nada mais lindo que ser regido pelas leis da necessidade. Poderia se pensar em uma União dos Egoístas, em que eu usaria o outro de acordo com meu usufruto. E não precisando mais, jogo-o fora, pois só satisfazer minha vontade é importante. Seria a inversão do Estado, usurpador intolerável.

           Incrível como um sujeito como esse pode pensar tanta inutilidade. Um homem bobo e pacato, a ensinar lições a senhoras de bem em Avaricum. Um sonso, sempre a sorrir criticamente e em nada participar ativamente. Um fracasso, que nada conseguiu em termos econômicos e, muito menos, intelectuais. Um homem de passar, a repassar suas idéias primitivas. Um homem que se dava bem com todos, mas que amigo algum tinha. Esse é o Max, “meu irmão; meu igual”!

 

 

Escrito por Chavalier de Bourges às 01h54
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Sábado , 21 de Maio de 2005


Anatália

Sua chata, valeu por tudo. Você é incrivelmente incrível. Não sei o que há em você, mas valeu por suportar não a fachada do Chavalier, mas ,principalmente, o verdadeiro - figura vil e estúpida que atrás da face boba e também  estúpida. Aliás, acho que você é mais estranha que eu. Só a senhora mesmo para aguentar meus podres, sem que eu tenha que mentir ou distorcer as coisas.

É bom ir fazer uma análise que não é normal. Não vou dizer que você é maravilhosa, esperta, sensível porque eu não gosto de puxar o saco de ninguém; - além do meu, é claro - mas gostaria de dizer que Anatália continua a ser "A". Mais, não há necessidade. Eu sei quem é, e sabe quem sou. BJÃO e FELIZ ANIVERSÁRIO!

 

Escrito por Chavalier de Bourges às 18h40
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Domingo , 24 de Abril de 2005


Agnóstico temente a

Aqui, o comentário do Anderson, que é a motivação deste post. Tentei me defender. Analisem e comentem se consegui.

Anderson][a.britomata@bol.com.br]
EEEEEEEEiiiiiiiiii, sab o q é q penso sobre os agnósticos? São pessoas tementes a Deus(ponto2), tanto q não conseguem nega-lo, mas q não o admitem por serem arrogantes(ponto1). Essa historia d ficar dizendo por ai q "num sei se posso acreditar, num sei se não posso" ou "num sei se existe ou não" é bastante comoda, pois axam q durante seus julgamentos eles poderão alegar: "Não, não, eu não te neguei em momento algum. Se cometi algum pecado, não deve ter sido tão grave, permita q eu vá ao menos p o purgatório". Só existe quem acredita e quem não acredita, quem (axa q) ta em dúvida, é por q acredita, pois, se assim não fosse, não perderia seu tempo com tantas reflexões a respeito Dele (ponto3). O ateu num se importa com a existencia ou não d Deus. Creio em Deus, não me envergonho disso, e não axo q sou menos inteligente por isso(ponto4).

fim

 

Bem, apesar de ter sido chamado de arrogante e outras coisas mais, não pude deixar de achar o máximo esse comentário. Meu amigo Anderson, na idade média existia uma dúvida: que órgão será responsável pelos pensamentos, cérebro ou coração? Uns diziam cérebro, pela associação à visão. Outros o coração, pela associação ao sentir (q alterava os batimentos...).

Seria aceitável que alguém dissesse: bem, as circunstâncias não permitem afirmar, não tenho como saber? De alguma forma, alguém que dissesse isso estaria sendo arrogante por reconhecer não poder saber? (ponto1) O fato de esse indivíduo dizer não saber o faria, automaticamente, acreditar (mesmo negando) que a origem dos pensamentos é o coração, como intuía a maioria? (ponto2) O fato de esse indivíduo discutir o assunto, se encantar com ele, o faria obrigatoriamente partidário de uma das crenças? (ponto3).

         Bem, creio eu que o agnosticismo é sinônimo de humildade (admite-se a dúvida e a ignorância), não obriga a acreditar ou não e tampouco tem a ver com inteligência. Newton e Einstein eram fervorosos crentes num criador, “o relojoeiro universal”, nas palavras do primeiro. E além do mais você, meu amigo Anderson, que de tão inteligente faz um comentário digno de post (ponto4). Valeu mesmo cara! E é o que quero, e o que estimula a perpetuar a lixeira do meu "hd", que hoje sei ser o cérebro. Digam aí, fui bem?

Escrito por Chavalier de Bourges às 21h01
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Sábado , 09 de Abril de 2005


"Sem deus, sem lei"

 

             Parecem ser os agnósticos e os ateus os mais encantados com essa teoria maravilhosa. Voltaire já dizia que em caso de não existência seria preciso inventar. Não se pode ao certo saber se "ele" (minúsculo sempre) nos inventou, mas sem dúvida nós o inventamos.  E cada um o constrói de uma forma, de certa maneira moldada pelo entendimento do coletivo, ou o que este apreendeu. Eu já fiz inúmeras construções de um possível engenheiro universal. A mais relevante, sincera e espontânea remota os meus pesadelos infantis.

Envolto num universo sombrio estava lá, uma figura grande (como os afrescos bizantinos) e auto-suficiente, com sua barba grisalha e cônica e de cútis branca. Era uma mistura de Tiradentes com Sócrates - retratado sempre forte e austero. Essa construção parece conter somente o projeto coletivo, mas minha cabecinha extremamente destacável pelo tamanho normal se encarregou de inserir seu tijolo: estava, meu deus, com uma faca. Uma faca! Esta arma, pronta a ser usada a qualquer distração ou erro meu. Não à toa eu, nesse período, tratei de pedir a devida ajuda. Minha mãe ainda me ensinou o "pai nosso" e a "ave-maria", mas reparando no meu grande "entusiasmo" pelas orações tratou de parar por aí mesmo.

Outras construções foram feitas por mim. Acreditar num senhor misericordioso é bastante cômodo. Imaginei o deus bom e complacente, mas a imagem inicial ficou presente. Entretanto, às vezes, a imagem dele parece tão estúpida e sem sentido quanto à santíssima trindade. Parece mais lógico acreditar que o relógio existe sem o relojoeiro que acreditar que o relojoeiro existe sem ninguém. Parece mais lógico acreditar que deus são as coisas, as pessoas, o universo que pensá-lo como uma criança a manipular uma fazenda de formigas. Caso ele exista, não ficará bravo. Ele seria o culpado por tantas blasfêmias.

 

P.S: pensei em dedicar esses pensamentos a minha amiga Giselle Tales Teles. Seria, contudo, uma grande insanidade dedicar tantas besteiras para alguém tão querido. De toda forma, parabéns gi, e foi maravilhoso conhecer uma garota tão doce e incrível como você (que diga o trabalho de Delphi, que deveria ter minha contribuição). Inteligência, beleza, doçura, senso de humor e doidice (o Anderson é a prova mor disso) fazem de você única e especial. Enfim, que a amizade perdure pela eternidade, ou pelo menos até você ir para o céu e eu para o inferno. Saudações, pessoal!

   

Escrito por Chavalier de Bourges às 01h53
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Terça-feira , 15 de Março de 2005


Maneira úteis de ser um inútil

Tenho um novo e estúpido modus vivendi: a inutilidade. Estou quase atingindo o nirvana de tanto não pensar. Pensamentos, idéias, projetos, objetivos: nada. Nada. O nada tem sido a regra, e a inutilidade se estende de várias formas. Como, durmo, visito os parentes, jogo video-game, coço vocês sabem o que e excedo-me no messenger (esse com o atenuante das companhias).

E o comodismo então. Se suicida deixaria de cometer o ato por preguiça. Aliás, poderia levar a cabo a ação só pelo "descanso eterno" (mesmo não cansado só penso em relaxar). E a grande inutilidade: escrever coisas inúteis para esse blog inútil e depois fingir acreditar para os que fingem ter lido e fingem comentar. Nada mais normal. Só mesmo os meus três leitores para terem paciência. Aliás, o motivo para os não-posts é o nada também. E o nada me motivou a compartilhar um pouco do meu muito nada com quase nada.

Escrito por Chavalier de Bourges às 01h30
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Domingo , 27 de Fevereiro de 2005


Agradecimento

Gostaria de, nesse post, agradecer a duas meninas fofas e a nosso físico da Lei os quais dispensaram alguns minutos de seu valoroso tempo para comentar esse humilde blog. Enfim, muito obrigado, do fundo do coração à Patrícia Fernanda Pat Letrinhas Rosas, Liannara Cangaceira do Sertão Florianense e ao Flávio Júlio Alves de Carvalho. Já eu arrumo uma poesia bem legal para vocês. Quanto aos outros, "mui amigos", ainda podem se redimir e comentar o post do dia 30 de janeiro. Sigam o exemplo do Júlio. Bjão!

Achei um poema bem legal na net. Não tem autoria. Linguagem coloquial, soneto sem métrica e rimas fracas. Mas tem uma imagem bem interessante, além de rimas internas. Acho que a pat vai gostar. Repararam? Além disso tem um enredo no estilo "No feeling", como diria Sid Vicius. Algo que todo misantropo entende. Mas resolvi trocar pelo Baudelaire em Les Fleurs du Mal

Ao leitor

 

Sempre tolice e erro, culpa e mesquinhez

Trabalham nosso corpo e ocupam nosso ser

E aos remorsos gentis, nós damos de comer

Como um mendigo supre a sua sordidez

 

Frouxo é o arrependimento e tenaz o pecado

Por nossas confissões muito é o que a alma reclama,

Voltando com prazer a um caminho de lama,

Crendo lavar as manchas com um pranto amaldiçoado.

 

(...)

 

Um existe mais feio e mais perverso e imundo!

Embora não se expanda em gestos ou em gritos,

De bom grado faria da terra só detritos

E num simples bocejo engoliria o mundo

 

É o tédio! – os olhos que a chorar sempre estão,

Fumando o seu huka, sonha com o cadafalso.

Tu o conheces, por certo, o frágil monstro, ó falso

Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!

 

Baudelaire, Charles. Flores do mal. Tradução de Pietro Nasseti. São Paulo: Martin Claret, 2003.

Escrito por Chavalier de Bourges às 01h16
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Domingo , 30 de Janeiro de 2005


O Manuel e a existência

Uma questão me atormenta. Quanto tempo ainda serei lembrado após voltar ao pó. Confesso, só a eternidade  satisfar-me-ia; entretanto reconheço que me surpreenderia se recordações minhas perdurassem por mais que dias. É o que se chama complexo de Brás Cubas. Não que seja fã do velho Machado da Barba Branca, mas ele foi feliz ao definir tal situação.

 

Agora o achado. Bandeira em métrica rigorosa. Geralmente só o via em versos livres e brancos. Mas ele não deixou de surpeender. Usou a redondilha -geralmente medieval- em substituição aos decassílabos habituais. Enfim, fiquei impressionado. Por favor, comentem sobre Bandeira. Nunca me aprofundei muito a respeito, além de uma coisa ou outra sobre Pasárgada. Por isso, amigos, comentem sobre o que sabem sobre Bandeira e sobre este poema em particular. Escutem-me, comentem sobre isso e ,se quiserem, sobre o tema.

 

Zé Miúdo

 

Meu amigo, você se foi: adeus!

Quantos ainda o lembrarão,

Por quanto tempo ainda hão

De rogar lágrimas a “Deus”?

 

Não sei companheiro, José

Não tivera Ciência, ou glória

Não construíra a História

Não forjara uma falsa fé.

 

Essa triste ária da morte:

Sumir até nos corações

Daqueles que nos fazem fortes.

 

Pois , sumiremos irmão

Em uma cova rasa

E da memória do mundo.

 

BANDEIRA, Manoel. Lembranças de um mundo inexistente. São Paulo: Saraiva,1954.

Escrito por Chavalier_de_Bourges às 16h50
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Quarta-feira , 12 de Janeiro de 2005


Uma foto tirada no recesso

Não se preocupem, prometo não deixar mais a barba crescer, pelo menos enquanto não destruir toda a civilização judaico-cristã ocidental.hehehehehehehehehe... Passei o natal(sic) no Ipiranga. Lembranças da minha infância perdida, luz da minha vida e tudo aquelo q o Casimiro de Abreu disse melhor que eu. Cuscuz e o cajuína da vó Toinha, os livros do vô Joel, as belas garotas do Ipiranga (que insistem em ignorar a minha presença), os pequenos atazanando no quintal (na verdade eles nem ficavam no quintal, mas achei bem Gothe essa tirada). smpopdso opdv sopv vjdpsovjos dpjvodpjs vosvjpodjvopd vpdjvposd vjopsdvjopdv posvopdsv jpsdvod pvjpsvjpv (trecho censurado a mando do Supremo Augusto e Impulutíssimo Senhor Imperador Cornelius Girondinus, da Idiot Land).

Aliás este foi um ano deveras estranho. Até escrevi uma carta para minha amiga Pat Letrinhas Rosas.  Eu, escrever uma carta. Conquanto, voltei cedo. Tinha uns trabalhos para fingir fazer. Voltando à foto, deixo o cabelo crescer? A barba? Fico careca novamente?

Escrito por Chavalier_de_Bourges às 01h09
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Segunda-feira , 10 de Janeiro de 2005


Como eu começo minhas agendas:

   Sempre começo minha agenda, a cada começo de ano, com um poema do Álvarez de Azevedo, que amo. Ei-lo:

SE EU MORRESSE AMANHÃ !

 

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria

Se eu morresse amanhã!

 

Quanta glória pressinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que amanhã!

Eu pendera chorando essas coroas

Se eu morresse amanhã!

 

Que sol! que céu azul! que doce n'alma

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batera tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!

 

Mas essa dor da vida que devora

A ânsia de glória, o dolorido afã...

A dor no peito emudecera ao menos

Se eu morresse amanhã!

 

AZEVEDO, Álvares de. Poesias Completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995, p.96

Escrito por Chavalier_de_Bourges às 01h10
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